O Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia (SEEB-RO), por meio do Escritório Fonseca & Assis Advogados Associados, protocolou, nesta terça-feira (9/9), documento junto ao Ministério Público do Trabalho de Rondônia (MPT-RO) denunciado a onda de demissões em massa, assédio moral e perseguição a trabalhadores adoecidos nas unidades do Banco Bradesco no Estado.
De acordo com o SEEB-RO, o Bradesco tem cometido graves violações trabalhistas nos últimos anos, já que tem intensificado indistintamente as demissões de funcionários, principalmente aqueles que estão adoecidos ou em estabilidade acidentária. E os empregados que permanecem nas agências, que acabam obrigatoriamente ‘absorvendo’ a demanda dos colegas afastados, sofrem ainda mais com a pressão diária para o atingimento de metas abusivas e, consequentemente, também acabam adoecendo, tamanhas são as práticas reiteradas de assédio moral.
Para o Sindicato, não resta dúvidas que o banco atenta não apenas contra a legislação trabalhista, mas também contra princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e a valorização do trabalho.
Avaliando o cenário nacional, foi levantado que, nos últimos cinco anos, o Bradesco promoveu a extinção de aproximadamente 25 mil postos de trabalho e o fechamento de cerca de 1.800 agências. Em contrapartida a tais extinções, os relatórios de desempenhos publicados demonstram que, somente no primeiro semestre de 2025, o mesmo banco obteve lucro líquido de R$ 11,931 bilhões (crescimento de 33,7% em relação ao mesmo período de 2024), mas ainda assim reduziu 2.564 postos de trabalho no Brasil nos últimos 12 meses.
O Sindicato tem travado uma luta firme em defesa não apenas dos trabalhadores demitidos, mas também daqueles que permanecem nos postos de trabalho, que ficam cada vez mais sobrecarregados com a absorção de múltiplas funções e com o aumento da carga de trabalho, isso tudo somado às pressões e às cobranças de metas cada vez mais rigorosas, causando adoecimento e, consequentemente, tornando-os os próximos alvos do banco para futuras demissões.
Só em 2025 o Sindicato já fez duas grandes manifestações contra essa postura do banco, como os protestos nos dias 3 de julho (interdição da agência de Ouro Preto do Oeste, por falta de funcionários) e do dia 12 de agosto (Dia Nacional de Luta), mas até agora não obteve qualquer resposta positiva do Bradesco.
“O Sindicato continua lutando contra essas atrocidades cometidas pelo banco que, por sua vez, não faz a menor questão até mesmo de abrir um diálogo com a representação dos empregados. Por isso pedimos a intervenção do MPT-RO, para garantir condições adequadas de trabalho e a proteção da saúde física e mental dos bancários, e acabar com este clima de medo, pressão e insegurança constante nas agências do Bradesco de Rondônia”, menciona Gesica Capato, dirigente do SEEB-RO e funcionária do Bradesco.
“Além disso o fechamento de agências gera o transtorno para a população rondoniense, a exemplo dos aposentados, que muitas vezes precisam percorrer longas distâncias para receber seus benefícios previdenciários exatamente porque o banco fechou o único Posto de Atendimento que essas pessoas tinham em seus municípios”, concluiu a dirigente.
