A agência do Bradesco de Ariquemes, município localizado a quase 200 quilômetros da capital, foi interditada nesta segunda-feira (23/3), em protesto contra a onda de demissões e fechamento de unidades que tomou a região nos últimos meses. De acordo com informações obtidas pelo Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia (SEEB-RO), só de novembro até o momento já foram seis bancários demitidos apenas naquela agência.
“Na última terça-feira aconteceu a interdição da agência quando participamos do Dia Nacional de Luta pelas demissões e fechamento de agências do Bradesco em todo país, e já na sexta-feira o banco demitiu mais duas pessoas na agência, ampliando ainda mais o clima de medo e total insegurança que impera entre os bancários da unidade”, explica Jonas Pinheiro, diretor da Regional Ariquemes.
Ele conta ainda que na região de Ariquemes o Bradesco fechou, nos últimos meses, as agências de Buritis, Cujubim, Alto Paraíso e Campo Novo. Com isso alguns bancários são realocados para a agência de Ariquemes ao mesmo tempo em que os da agência são obrigados a ir para municípios adjacentes abrir contas, atender clientes e fazer visitas.
DEMISSÕES SEM FIM
Nos últimos anos o Bradesco promoveu uma forte redução no número de bancários. Dados do Dieese mostram que 7,5 mil postos de trabalho foram fechados em cinco anos, 3.539 demissões ocorreram desde março de 2024, início do novo plano estratégico.
“Só em 2025 o Bradesco lucrou R$ 24,7 bilhões, um crescimento de 26%. Mesmo com menos agências e menos trabalhadores, as receitas com tarifas cresceram 8,9%. Ou seja, os clientes continuam pagando tarifas e juros elevados enquanto o banco reduz a estrutura e piora ainda mais o atendimento ao público. Por isso que fazemos essas atividades diretamente nas agências de Rondônia, pois é fundamental que a população saiba que o Bradesco continua demitindo e fechando unidades no estado, criando um clima de mais insegurança nos ambientes de trabalho e, consequentemente, deixando o atendimento, que já é precário, muito pior para clientes e usuários. Portanto vamos continuar atentos e combater essa política desumana colocada em prática por um dos bancos que mais lucra e que mais demite no país”, menciona Ivone Colombo, presidenta do SEEB-RO.
