Após meses de mobilização dos empregados e atuação das entidades representativas cobrando mudanças no SuperCaixa, a Caixa Econômica Federal apresentou alterações no regulamento do programa. No entanto, para a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), as medidas anunciadas não atendem ao principal pleito defendido pela campanha Vendeu. Recebeu: garantir que quem contribui para os resultados da empresa seja efetivamente reconhecido e remunerado por isso.
A Fenae reconhece que a apresentação de ajustes ocorre após inúmeras manifestações, cobranças e espaços de diálogo realizados ao longo dos últimos meses. Porém, o conteúdo divulgado demonstra que as reivindicações centrais dos empregados não foram incorporadas às regras do programa.
Desde o ano passado, o SuperCaixa tem sido alvo de críticas de empregadas e empregados em todo o país. Diante da insatisfação, a Fenae lançou a campanha “Vendeu. Recebeu”, que reuniu quase 10 mil assinaturas em um abaixo-assinado nacional cobrando a reformulação do modelo de remuneração variável.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de transparência nos critérios, a instabilidade causada por constantes mudanças nas regras, a dificuldade de acompanhamento dos resultados durante o ciclo e a possibilidade de empregados que contribuem diretamente para o desempenho das unidades permanecerem excluídos do recebimento.
Outro ponto criticado pela entidade é a divulgação do novo regulamento faltando apenas 19 dias úteis para o encerramento do semestre. Para a Fenae, a medida reforça a falta de previsibilidade e tempestividade que tem marcado a condução do programa desde sua criação.
“O que percebemos neste primeiro momento é que, apesar das alterações apresentadas, o SuperCaixa continua sendo um programa excludente, complexo e pouco transparente, que pode deixar de fora muitos colegas que contribuem para os resultados das unidades. O regulamento não reconhece adequadamente os esforços dos empregados e, muito menos, atende ao principal pleito da campanha Vendeu. Recebeu”, critica Sergio Takemoto, presidente da Fenae.
Durante a apresentação das mudanças, a Caixa afirmou que simplificou regras e promoveu avanços após diálogo com as representações dos trabalhadores. Entretanto, para as entidades, as alterações não refletem as demandas apresentadas pela categoria.
Para a diretora da Apcef/AP, Joana Lustosa, o momento escolhido para divulgar as mudanças evidencia um dos problemas apontados desde o início pelas entidades.
“Esse anúncio, restando apenas 19 dias úteis para o fechamento do ciclo, é inaceitável e demonstra justamente aquilo que temos questionado desde o ano passado: a falta de tempestividade nas respostas às demandas dos empregados e de um debate efetivo com suas representações. As mudanças apresentadas são inexpressivas frente ao nosso pleito. Embora tragam menos exigências que o regulamento anterior, seguem mantendo critérios excessivos, informações pouco claras e a possibilidade de excluir colegas que ajudaram a construir os resultados da Caixa”, avaliou Joana.
A Fenae reforça que continuará mobilizada em defesa de um modelo de remuneração mais justo, transparente e inclusivo. A campanha Vendeu. Recebeu segue defendendo um princípio simples: quem gera resultado deve ser reconhecido.