A abertura do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), realizada nesta quarta-feira (17/6), em São Paulo, foi marcada pela leitura do Manifesto de Tolerância Zero para Casos de Violência e Assédio, reafirmando o compromisso da Contraf-CUT, das federações e dos sindicatos com a construção de ambientes seguros, acolhedores e respeitosos para todas as pessoas.
O documento destaca que todas as pessoas têm o direito de ser tratadas com dignidade, respeito e justiça, além de viver uma vida livre de violência e assédio, independentemente de idade, gênero, sexo, orientação e identidade sexual, deficiência, religião ou origem étnica. A manifestação também ressalta que o enfrentamento dessas práticas deve começar dentro das próprias organizações e espaços de representação dos trabalhadores.
Durante a leitura, foi reforçado que a violência e o assédio compreendem um conjunto de comportamentos, práticas ou ameaças inaceitáveis, capazes de causar danos físicos, psicológicos, sexuais ou econômicos, incluindo situações motivadas por questões de gênero.
O manifesto também deixa claro que todas as atividades, eventos e reuniões promovidos pela Contraf-CUT, federações e sindicatos são espaços onde não haverá tolerância para qualquer forma de violência ou assédio. Em caso de denúncias ou ocorrências, as entidades assumem o compromisso de apurar os fatos com responsabilidade, sigilo e respeito ao devido processo, buscando garantir proteção e justiça às pessoas envolvidas.
A iniciativa integra os esforços permanentes do movimento sindical bancário para fortalecer uma cultura de respeito, igualdade e proteção dos direitos humanos, garantindo que os espaços de debate e construção coletiva sejam livres de qualquer forma de discriminação, intimidação ou violência.
O 41º Conecef reúne representantes dos empregados da Caixa de todo o país para debater os principais desafios da categoria e definir estratégias de atuação em defesa dos direitos dos trabalhadores, do fortalecimento da Caixa como banco público e da ampliação de conquistas para os empregados.
A primeira mesa do evento contou com a participação do professor e pesquisador Marcello Rodrigues de Azevedo, doutor em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e autor de estudos sobre o sistema financeiro chinês, e do deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR).
POLITIZAÇÃO DA POPULAÇÃO E BANCOS PÚBLICOS
Antes da exposição do professor e pesquisador Marcello Rodrigues de Azevedo, o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) fez uma análise sobre os desafios da organização da classe trabalhadora diante das transformações no mundo do trabalho e do avanço da precarização.
Ao dirigir-se aos delegados e delegadas presentes, Veneri ressaltou a importância da conscientização política dos trabalhadores e alertou para os efeitos da chamada economia de plataformas.
“Nosso papel é politizar os trabalhadores. Não é possível que uma pessoa trabalhe 20 horas por dia para aplicativos e ainda acredite que ficará rica. Precisamos debater quem se beneficia desse modelo e quais são as consequências para a classe trabalhadora”, afirmou.
O parlamentar também destacou que a defesa dos bancos públicos deve estar associada à defesa dos empregos e do papel social dessas instituições.
“Além de mantermos a Caixa e o Banco do Brasil públicos, precisamos defender os empregos e fortalecer o papel que essas instituições cumprem para o desenvolvimento do país”, disse.
Em sua intervenção, Veneri ainda chamou atenção para a necessidade de ampliar a mobilização social como instrumento de conquista de direitos.
“O parlamento, por si só, não representa integralmente os interesses dos trabalhadores. As grandes conquistas da classe trabalhadora sempre ocorreram quando houve organização e pressão social. É a mobilização popular que cria as condições para avançar”, observou.
O deputado avaliou ainda que as mudanças demográficas, o envelhecimento da população e o distanciamento crescente das pessoas em relação aos processos eleitorais impõem novos desafios para os movimentos sociais e sindicais.
“As eleições já não encantam como antes. Ao mesmo tempo, estamos diante de mudanças profundas na composição da sociedade. Isso exige novas formas de organização e diálogo com a população”, afirmou.
Para Veneri, a luta por melhores condições de trabalho também precisa ir além das reivindicações econômicas imediatas.
“Muitas vezes as pessoas lutam para ampliar a Participação nos Lucros e Resultados, o que é legítimo, mas deixam de lutar pelo aumento real dos salários, que tem impacto permanente na valorização do trabalho. Precisamos retomar esse debate”, concluiu.