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Bancos não apresentam índice de reajuste e ainda querem dividir a categoria

Comando Nacional convoca a categoria para, em assembleias no dia 17 de agosto, deliberar sobre a proposta dos banqueiros e paralisação dia 20

Na sétima rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada nesta quinta-feira, 13 de agosto, em São Paulo, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), mesmo com o compromisso assumido em mesa de negociação anterior, não apresentou proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas, frustrando toda a categoria.

A proposta dos banqueiros foi de congelamento do piso de ingresso para os novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais, mas sem dizer quais seriam os parâmetros dessas faixas e nem os percentuais que seriam definidos para cada uma delas.

A negociação, iniciada por volta das 10 da manhã, terminou às 18 horas. Durante os debates, a Fenaban chegou a propor redução do valor dos vales refeição e alimentação (VR e VA) nas cidades do interior, alegando que são localidades do país com custos de alimentação menores. Somente nas grandes capitais os vales poderiam ter aumento.

“Eles não querem aumentar o custo, querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”, criticou a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

A representação dos banqueiros chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Mas, depois de um intervalo durante a negociação de hoje, recuou.

“O setor bancário lucro R$ 174 bilhões ano passado. Não tem sentido apresentar uma proposta rebaixada. Por que não tirar dos altos executivos, então, para pagar o reajuste que a categoria bancária exige e tem de direito?”, rebateu Juvandia, lembrando que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026. “Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, completou.

A dirigente destacou ainda que o lucro por empregado nos bancos é de 438 mil e nas cooperativas é 173 mil, uma diferença de 153% em favor dos bancos. Em outras palavras, os bancários são muito mais produtivos e lucrativos.

“Eles ficam alegando uma concorrência que não existe, para um setor altamente concentrado”, pontuou. “Não aceitaremos retirada de direitos. Vamos defender a minuta aprovada pelos bancários e bancárias, por aumento real, valorização nos pisos, tíquetes, PLR e criação de um piso para os trabalhadores de TI”, concluiu.

ASSEMBLEIA NA SEGUNDA-FEIRA, 17

Diante da enrolação dos banqueiros, o Comando Nacional dos Bancários convocará assembleias em todo país para a próxima segunda-feira, 17 de agosto, para que a categoria delibere sobre o modelo de reajuste, divisão da categoria e congelamento de piso, propostos pela Fenaban. A assembleia também irá deliberar sobre o dia nacional de mobilização, com paralisação nas bases na quinta-feira, 20 de agosto.

“Com essas propostas indecentes apresentadas na mesa de hoje, e sabendo que nas rodadas de negociação dos acordos específicos não houve avanços, os bancos (públicos e privados) comprovam que não tem qualquer respeito com os trabalhadores bancários, pois enquanto continuam lucrando muito, mesmo assim nos desvalorizam, demitem e fecham agências (durante a Campanha Nacional), querem retirar direitos, acabar com a nossa CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) e agora, para piorar, querem dividir a categoria. Por isso reforçamos o pedido para que todos os bancários participem das assembleias, e que estejam juntos conosco para mostrar força e não aceitar, de forma alguma, que este regime de desprezo e humilhação continue”, avaliou Ivone Colombo, presidenta do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia (SEEB-RO) e membro do Comando Nacional dos Bancários.

PRÓXIMA NEGOCIAÇÃO

A próxima negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 está agendada para a próxima terça-feira, 18 de agosto.

Fonte: Contraf-CUT, com edição do SEEB-RO

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