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Bancários cobram aumento real, mas banqueiros, mais uma vez, não apresentam proposta

Expectativa de bancários e bancárias é por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos tickets refeição e alimentação e no piso da categoria

Na última terça-feira (4/8), a sexta rodada de negociação da nossa Campanha Nacional Unificada terminou sem avanços concretos. Em vez de apresentar uma proposta para reivindicações econômicas apresentadas pelo Comando Nacional, a Fenaban criticou os pedidos e chegou a sugerir que a PLR não deveria ser reajustada. A justificativa dos banqueiros seria a concorrência o fato de que os bancos já possuem programas próprios de remuneração variável.

O Comando Nacional rebateu imediatamente. Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, destacou que os programas próprios (muitas vezes atrelados à venda de produtos) são complementares e não podem substituir a PLR. Além disso, o movimento sindical lembrou que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) permite distribuir até 15% do lucro líquido, mas os grandes bancos privados repassam, em média, apenas 5,9%.

OS NÚMEROS NÃO MENTEM, O CHORO DOS BANCOS SIM

A desculpa de que o setor está sofrendo não se sustenta diante dos balanços financeiros:

  • Em 2025, apenas os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões. O setor inteiro registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões.
  • Somente as receitas cobradas com tarifas dos clientes cobriram 123% das despesas com pessoal dos cinco maiores bancos, incluindo o pagamento da PLR.
  • Enquanto o lucro cresce, a massa salarial dos bancários caiu 17% desde 2014, evidenciando o impacto das demissões e da redução de postos de trabalho sobre a renda da categoria.

 

A REALIDADE DE QUEM ESTÁ NA AGÊNCIA

Durante a mesa, a Fenaban tentou argumentar sobre o impacto das reivindicações alegando risco de demissões devido à concorrência com instituições financeiras pequenas e não bancárias. A presidenta do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia (SEEB-RO), Ivone Colombo, rechaçou a argumentação dos banqueiros.

“É completamente desarrazoado comparar os funcionários dos grandes bancos — que representam 80% do setor tradicional — com os de pequenos bancos e fintechs. Esses funcionários não sofrem com a indignação dos clientes, não sofrem com assédio moral e cobrança por metas desumanas, não adoecem e não correm risco de assaltos nas agências”, alertou Ivone.

“Portanto fica clara a intenção dos bancos, que é de pouco a pouco, negando cada uma das nossas reivindicações econômicas, sociais e de saúde, acabar com a nossa CCT (Convenção Coletiva de Trabalho). Ainda assim esperamos bom senso da Fenaban, que na próxima mesa de negociação, apresente uma proposta global decente e que valorize, de fato, os verdadeiros responsáveis pelos lucros sucessivos e infinitos dos bancos, os trabalhadores”, concluiu a presidenta do SEEB-RO, que também é membro do Comando Nacional dos Bancários.

Ivone Colombo, presidenta do SEEB-RO, ao centro

IGUALDADE DE GÊNERO

O debate sobre as mulheres no setor também esteve na pauta. A Fenaban levou uma especialista para apresentar propostas de desenvolvimento profissional. No entanto, a coordenadora do Comando, Neiva Ribeiro, enfatizou que apenas cursos não bastam. Os dados provam a urgência: as mulheres bancárias ainda ganham 18,4% a menos que os homens e, se continuarmos no ritmo atual, levaremos 40 anos para atingir a igualdade salarial no setor bancário.

PRÓXIMOS PASSOS

A Fenaban informou que irá apresentar uma proposta global para todas as reivindicações na próxima mesa, marcada para o dia 13 de agosto. O Comando Nacional reforça que a categoria exige aumento real (inflação + 5%), valorização da PLR, tickets maiores e a garantia de emprego.

Fonte: SEEB-RO, com informações da Contraf-CUT

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