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Encontro de Saúde debate adoecimento da categoria e prepara pauta para Campanha de 2026

O Encontro Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Bancário(a), realizado na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, na quarta e quinta-feira (22 e 23), reuniu dirigentes sindicais de diversas regiões do país para debater o cenário de adoecimento da categoria e construir propostas que irão subsidiar a Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

O objetivo foi organizar a luta por melhores condições de trabalho que preservem a saúde dos trabalhadores do sistema financeiro, com atualização da pauta de reivindicações diante das transformações recentes no setor.

Entre os principais temas debatidos estiveram os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, o crescimento do adoecimento psíquico e o avanço do assédio moral organizacional, com destaque para o assédio algorítmico e a vigilância digital utilizados para intensificar o controle e a cobrança por resultados.

Segundo o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, o nível de adoecimento na categoria atingiu patamares preocupantes. “A categoria bancária vive um nível extremamente elevado de adoecimento, principalmente por transtornos mentais e comportamentais. Isso não acontece por acaso. É resultado de um modelo de gestão baseado em metas abusivas, pressão permanente por resultados e medo constante em relação ao futuro profissional”, afirmou.

Os participantes apontaram que a gestão por estresse, associada a sistemas de avaliação de desempenho, remuneração variável e uso intensivo de tecnologias de monitoramento, tem ampliado o sofrimento psíquico, o esgotamento e o afastamento de trabalhadores.

O encontro também destacou a falta de políticas reais de prevenção por parte dos bancos. De acordo com os dirigentes, os serviços médicos das instituições seguem subordinados à lógica da produtividade, enquanto trabalhadores adoecidos enfrentam dificuldades para acessar tratamento, reconhecimento do nexo ocupacional e benefícios previdenciários junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Para Mauro Salles, o movimento sindical terá papel decisivo no próximo período. “Nosso desafio é duplo: combater as causas estruturais do adoecimento e garantir acolhimento, reabilitação e reparação aos trabalhadores atingidos. A renovação da Convenção Coletiva em 2026 precisa avançar em mecanismos concretos de prevenção, fiscalização e proteção à saúde da categoria”, destacou.

As discussões do Encontro Nacional de Saúde servirão como base para as conferências regionais e estaduais e para a construção final da pauta nacional de reivindicações dos trabalhadores do ramo financeiro.

Lançamentos

O encontro também foi marcado pelo lançamento de duas publicações. A cartilha “Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho no Setor Financeiro — Identificação, Intervenção e Monitoramento”, elaborada pela professora Cristiane Queiroz, que orienta sobre a nova obrigatoriedade da NR-1, que a partir de 2026 exigirá que as empresas gerenciem fatores como pressão por metas, vigilância digital e modelos de gestão que causam adoecimento mental.

A cartilha destaca que o setor financeiro está entre os mais impactados pelos riscos psicossociais. Entre os principais fatores apontados estão:

  • Gestão por metas e desempenho, muitas vezes acompanhadas por monitoramento em tempo real;
  • Vigilância digital, com uso de softwares de produtividade, rastreamento de atividades e geolocalização;
  • Sobrecarga e intensificação do trabalho, ampliadas pela conectividade permanente do ambiente digital.

 

O livro “Burnout: Conflitos de Valores Éticos e Alterações de Identidade”, do psicólogo e especialista Rui Carlos Stockinger. O autor falou sobre o crescimento da síndrome de Burnout, considerada uma epidemia silenciosa que atinge milhares de trabalhadores e trabalhadoras, incluindo bancários e bancárias.

O livro traz resultados de pesquisa realizada com bancários e bancárias, apontando um nível de prevalência de burnout de 84% entre os participantes, índice considerado o mais elevado já identificado em estudos desse tipo na categoria.

“O crescimento dos casos de adoecimento mental mostra que estamos diante de um problema estrutural. O burnout não é uma fragilidade individual, mas resultado das condições de trabalho, da pressão por metas e da intensificação do ritmo laboral. Discutir saúde mental é defender a vida, a dignidade e condições de trabalho saudáveis para bancários e bancárias”, afirmou o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles.

Fonte: Contraf

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