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O trabalhador que tem Burnout se cobra mais enquanto o empregador entrega de menos, alerta Rui Carlos Stockinger

Em sua palestra sobre “A Saúde Mental no Trabalho e os Riscos Psicossociais – Quando o trabalho Não Dignifica o Homem”, o psicólogo e psicoterapeuta Rui Carlos Stockinger, Mestre em Psicologia, especialista em Psicossomática, professor universitário, facilitador de grupos e supervisor, contou que depois de mais de 16 anos como coordenador de saúde mental do município de Petrópolis (RJ), voltou sua atenção para o ramo financeiro do país, especialmente porque os bancários respondem por um significativo – e alarmante – índice de afastamentos por doença ocupacional.

“Os bancários passaram a ser o meu público-alvo porque, na minha prática clínica, percebi o quantitativo cada vez maior, ano após ano, de bancários que se afastavam do trabalho para buscar ajuda por transtornos mentais, mas especialmente por conta da Síndrome de Burnout. É notória a realidade de muitos desses trabalhadores com conflitos de valores e alterações de identidade, tudo isso relacionado ao trabalho. Por isso fizemos, juntamente com a Contraf-CUT, uma ampla pesquisa, a nível nacional, com mais de 260 sindicatos filiados, que revelou este quadro nefasto de adoecimentos causados pelo ambiente de trabalho e por uma gestão de pressão e medo imposto pelos bancos”, detalhou Rui.

Para ele, as instituições financeiras se utilizam de um mecanismo muito sofisticado de controle, de monitoramento intenso e brutal que, aliado ao pouco suporte dado ao bancário, contribui para o aumento da existência do Burnout entre todas as categorias e trabalhadores no país.

“O trabalhador bancário precisa escolher não estar tão subserviente, entender que ele tem uma autonomia, e principalmente com o advento da classificação do Burnout como doença causada pelo trabalho, que estabelece o nexo causal, que lhe dá essa ‘proteção’. Com isso ele poderá procurar seus direitos, se cuidar e, em alguns casos, não se ausentar da responsabilidade de ajudar um colega que esteja atravessando por um momento similar, principalmente através do Sindicato, onde ele pode e deve procurar auxílio”, acrescentou.

O professor disse ainda que é sempre importante lembrar que o Burnout é uma doença séria, que pode causar afastamentos de até dois anos, que a níveis mais graves, traz consequências sérias para a família e até mesmo para a previdência social.

“O profissional que desenvolve Burnout geralmente tem um histórico de desenvolvimento e de evolução no local de trabalho, pois ele ‘entrega’ resultados. Só que quando ele não consegue mais alcançar essas metas – muitas vezes inalcançáveis – ele se vê impotente, se sente incapaz e acaba se esgotando totalmente para voltar a ter o rendimento, tentando compensar isso trabalhando cada vez mais e se desconfigurando, se esquecendo como pessoa. É uma situação caótica onde o trabalhador se cobra mais enquanto o empregador entrega de menos”, concluiu o especialista.

Fonte: SEEB-RO

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