Foi realizada nesta segunda-feira (27/7) a terceira rodada de negociações da Campanha Nacional entre as entidades representativas dos trabalhadores e a direção do Banco da Amazônia (BASA). O encontro foi presencial e colocou na mesa de debates reivindicações centrais do funcionalismo, como o combate à terceirização, a valorização dos trabalhadores, não discriminação dos integrantes do Quadro de Apoio (QA), a ampliação de direitos sociais e a segurança bancária.
Um dos pontos de maior embate na mesa foi a reivindicação das entidades sindicais pelo fim da terceirização nas áreas-meio e nas atividades-fim da instituição financeira. O banco posicionou-se de forma contrária à demanda, alegando estar amparado pela legislação vigente. A gestão também afirmou que os trabalhadores terceirizados atuam em setores nos quais não haveria empregados próprios disponíveis ou em atividades que, segundo a instituição, teriam sua conclusão comprometida caso ficassem restritas ao quadro efetivo.
A busca por avanços nos direitos dos trabalhadores também esbarrou em negativas institucionais. Ao cobrarem a concessão da folga de aniversário, as entidades foram informadas de que a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) não teria concordado com a reivindicação na negociação de 2014. Diante da resposta, os representantes dos trabalhadores solicitaram que a proposta seja formalmente reapresentada à Secretaria, reforçando a importância da medida como forma de reconhecimento e valorização do funcionalismo. Houve compromisso do banco de nova tentativa sobre esta demanda.
Outro momento de forte cobrança foi a defesa da participação de todos os empregados nos processos seletivos internos do banco, incluindo os integrantes do Quadro de Apoio. A direção da instituição alegou não concordar com a medida, sob a justificativa de que se trata de um quadro em extinção, composto atualmente por apenas 32 trabalhadores. A representação sindical contestou o argumento e destacou que esses profissionais possuem capacitação técnica e ampla experiência para exercer diferentes funções na estrutura do banco, não havendo justificativa para que sejam excluídos dos processos seletivos.
“A valorização do corpo funcional precisa ser integral. Não aceitaremos a marginalização dos trabalhadores do Quadro de Apoio, que acumulam anos de dedicação e capacidade técnica comprovada. Além disso, a terceirização enfraquece a categoria e precariza as relações de trabalho no Banco da Amazônia. Exigimos o reencaminhamento da folga de aniversário à SEST e respostas efetivas para as nossas pautas centrais”, destacou Rubens Tabajara, diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e integrante do Quadro de Apoio.
Um dos pontos tratados hoje foi a redução da jornada para pais e mães de PCD’s, conquista da última mesa que o Sindicato busca melhoria, como defende Tatiana Oliveira, presidenta do SEEB Pará “em outros bancos, a redução é de 25% da jornada, ou seja, pra quem é de 6h, nossa pedida é que a redução chegue à 1h30, já que hoje o banco reduz apenas 1 hora.
Em relação a outros eixos da pauta, o banco sinalizou a possibilidade de encaminhar alguns temas para mesas de negociação específicas e permanentes. Sobre a Comissão de Segurança Bancária, a gestão do BASA informou que o assunto poderá ser aprofundado na mesa permanente. Já em relação ao PrevAmazônia, o banco propôs a realização de uma mesa específica para tratar exclusivamente das demandas relacionadas ao fundo de previdência, já que reconhece que há um número expressivo de empregados sem adesão à previdência complementar.
“A mesa de negociação precisa apresentar soluções concretas e não apenas justificativas jurídicas ou burocráticas para negar direitos. O fortalecimento do banco passa pelo investimento direto no seu quadro de empregados públicos e pela garantia de condições de trabalho dignas e seguras. Seguiremos firmes na mesa de negociação cobrando avanços reais para a categoria”, ressaltou Cristiano Moreno, diretor jurídico do Sindicato, coordenador da Comissão de Organização dos Empregados do Banco da Amazônia (COE/BASA) e empregado do banco.
As mesas de agosto serão agendadas durantes esta semana.
Também participaram da reunião, representando os trabalhadores, Ronaldo Fernandes, diretor da Fetec-CUT/CN e do sindicato e empregado do banco; Rubens Tabajara, diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e empregado do BASA; e Luiz Fernando Galiza, assessor jurídico do Sindicato.
Pelo Banco da Amazônia, participaram Francisco Moura, assessor da Presidência; Anderson Pereira, gerente executivo da Gerência de Gestão de Pessoas (Gepes) ; e Daniela Vasconcellos, coordenadora da Gepes.